Cirurgia de próstata: quais os tipos e riscos

Cirurgia de próstata: quando é necessária e como funciona?

Se você está lendo este artigo, provavelmente está em um momento de dúvidas e preocupações com a saúde da sua próstata. Talvez o médico tenha mencionado a palavra “cirurgia” e isso trouxe ansiedade — e é completamente normal se sentir assim. A boa notícia é que a medicina evoluiu muito, e hoje existem diferentes tipos de cirurgia de próstata, cada um indicado para situações específicas, com menos riscos e uma recuperação mais tranquila do que muitos imaginam.

O que leva um homem a precisar de cirurgia na próstata?

Antes de falarmos dos procedimentos, é importante entender por que a cirurgia pode ser recomendada. Os principais motivos são:

  • Hiperplasia Prostática Benigna (HPB): aumento benigno da próstata que comprime a uretra, dificultando o ato de urinar. Quando os medicamentos não resolvem, a cirurgia pode trazer alívio imediato.
  • Câncer de próstata: em casos localizados, a remoção cirúrgica da glândula (prostatectomia) pode ser curativa.
  • Prostatite crônica ou abscesso: situações mais raras onde a cirurgia é necessária para drenar infecções ou remover tecido danificado.

Quais os principais tipos de cirurgia de próstata?

Cada técnica tem suas particularidades, vantagens e indicações. Conheça as mais comuns:

1. Prostatectomia radical (aberta, laparoscópica ou robótica)

Indicada principalmente para câncer de próstata localizado. Consiste na remoção completa da glândula, das vesículas seminais e, em alguns casos, de gânglios linfáticos próximos.

  • Cirurgia aberta: corte na parte inferior do abdômen. Recuperação mais longa.
  • Laparoscópica: pequenos furos na barriga, com câmera e instrumentos. Menos dor e internação mais curta.
  • Robótica: o cirurgião controla robôs de alta precisão. Menor sangramento, recuperação mais rápida e menos risco de incontinência e disfunção erétil.

2. Ressecção Transuretral da Próstata (RTU ou RTUP)

Procedimento padrão-ouro para HPB. Um instrumento fino é inserido pelo pênis até a próstata, e o excesso de tecido é removido por dentro. Não há cortes externos. O paciente costuma receber alta em 1 a 2 dias.

3. Laser (HoLEP, ThuLEP, GreenLight)

Técnicas modernas que usam energia de laser para vaporizar ou “descascar” o tecido prostático. Vantagens:

  • Menor sangramento (ideal para quem usa anticoagulantes)
  • Recuperação muito rápida
  • Alta no mesmo dia ou no dia seguinte

4. Incisão Transuretral da Próstata (TUIP)

Parecida com a RTU, mas em vez de remover tecido, o cirurgião faz pequenos cortes no colo da bexiga e na próstata para alargar o canal. Indicada para próstatas menores.

5. Embolização da artéria prostática

Procedimento minimamente invasivo feito por radiologistas. Pequenas partículas são injetadas nas artérias que irrigam a próstata, fazendo com que o tecido encolha. Não é exatamente uma cirurgia, mas uma alternativa eficaz para HPB.

Quais os riscos e efeitos colaterais de cada cirurgia?

Nenhuma cirurgia é isenta de riscos, mas com a tecnologia atual, eles são menores do que há 20 anos. Os mais comuns incluem:

  • Incontinência urinária temporária: especialmente após prostatectomia radical. Melhora com fisioterapia pélvica e tempo.
  • Disfunção erétil: risco maior em cirurgias para câncer. Cirurgias robóticas e técnicas poupadoras de nervos reduzem esse risco.
  • Sangramento e infecção: raros, mas possíveis em qualquer procedimento.
  • Estenose uretral: estreitamento do canal da urina que pode exigir nova intervenção.
  • Ejaculação retrógrada: comum após RTU e laser. O sêmen vai para a bexiga em vez de sair pelo pênis, mas não causa dor nem prejudica a saúde.

Como é a recuperação passo a passo?

Saber o que esperar ajuda a reduzir o medo. Veja um roteiro típico:

  1. Primeiras 24 horas: você ficará com uma sonda para drenar a urina. Pode sentir desconforto, mas a medicação alivia.
  2. Primeira semana: repouso relativo. Evite esforços, dirigir e relações sexuais. Beba bastante água.
  3. 15 a 30 dias: retorno gradual às atividades leves. A sonda é retirada entre 5 e 14 dias, dependendo da cirurgia.
  4. Dois a três meses: controle urinário e função sexual costumam melhorar progressivamente. Siga a fisioterapia pélvica se indicada.
  5. Longo prazo: consultas de acompanhamento com exames de PSA (no caso de câncer) ou avaliação urológica periódica.

Perguntas que todo homem faz antes de operar

É natural ter dúvidas. Respondemos algumas das mais frequentes:

  • Vou perder o controle da urina para sempre? Na maioria dos casos, não. A incontinência é temporária e melhora com exercícios e tempo. Menos de 5% dos pacientes têm problemas persistentes.
  • Vou conseguir ter ereções depois? Depende da técnica, da idade e da saúde prévia. Cirurgias robóticas com preservação de nervos têm altas taxas de sucesso.
  • A cirurgia dói muito? Não. A anestesia geral ou raquidiana bloqueia a dor durante o procedimento. Depois, analgésicos modernos controlam bem o desconforto.
  • Qual a melhor cirurgia para o meu caso? Só o seu urologista pode responder, após exames de toque retal, PSA, ultrassom e, se necessário, biópsia.

Como escolher o melhor tipo de cirurgia para você?

A decisão é pessoal e deve ser tomada em conjunto com seu médico. Considere:

  • Seu diagnóstico: benigno ou maligno? Tamanho da próstata?
  • Sua idade e estado geral de saúde: cirurgias menos invasivas são melhores para idosos ou quem tem outras doenças.
  • Suas prioridades: preservar a função sexual? Ter alta rápida? Menor risco de incontinência?
  • Experiência do cirurgião: um profissional treinado em robótica ou laser pode oferecer melhores resultados.

Não tenha vergonha de perguntar tudo. Anote suas dúvidas antes da consulta e leve um acompanhante para ajudar a lembrar das orientações.

Lembre-se: sempre consulte um médico antes de tomar qualquer decisão sobre sua saúde.

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