Biópsia de próstata: como é feita e quais os riscos?

Bem-vindo ao que você precisa saber sobre a biópsia de próstata

Se você chegou até aqui, é bem provável que esteja passando por um momento de apreensão. Ouvir que o exame de PSA ou o toque retal deu alterado já é um susto; imaginar que o próximo passo pode ser uma biópsia de próstata mexe com qualquer homem. Mas vou te ajudar a entender exatamente como esse procedimento funciona e, acima de tudo, o que você pode esperar, para que o medo do desconhecido não atrapalhe uma decisão importante para a sua saúde.

O que é e quando a biópsia de próstata é realmente necessária?

A biópsia de próstata é o método mais preciso para confirmar ou descartar a presença de câncer de próstata. Não se trata de um exame de rotina: ele é indicado quando outros sinais acendem um alerta. Os principais motivos para o médico solicitar esse procedimento são:

  • PSA elevado: Quando o nível do antígeno prostático específico no sangue ultrapassa o valor de referência (geralmente acima de 4,0 ng/mL, mas isso varia com a idade).
  • Toque retal alterado: Se o urologista sentir algo suspeito, como nódulos ou áreas endurecidas na glândula.
  • Ressonância magnética suspeita: Quando exames de imagem mostram lesões que merecem investigação.
  • Aumento rápido do PSA: Uma elevação significativa em curto período também acende o sinal amarelo.

Importante: nem todo PSA alto significa câncer. Infecções, inflamações (prostatite) ou até mesmo o crescimento benigno da próstata (hiperplasia prostática benigna) podem elevar o PSA. A biópsia entra em cena justamente para tirar essa dúvida com clareza.

Biópsia de próstata: como é feita passo a passo

Vamos ao que interessa: o dia do exame. Embora o nome assuste, o procedimento é rápido e, hoje em dia, muito mais seguro e menos desconfortável do que há alguns anos. Existem duas técnicas principais, e vou explicar as duas.

1. Biópsia transretal (a mais comum)

Nessa técnica, o médico introduz uma sonda de ultrassom no reto. Essa sonda tem uma agulha fina acoplada que coleta pequenos fragmentos (chamados de fragmentos) da próstata. Parece desconfortável, e pode ser um pouco, mas dura apenas alguns minutos.

  1. Preparação: Você toma um antibiótico algumas horas antes (para prevenir infecções) e faz uma lavagem intestinal leve com um enema.
  2. Posicionamento: Deitado de lado, com os joelhos flexionados, igual ao exame de toque retal.
  3. Anestesia: O urologista aplica um gel anestésico local no reto. Em muitos casos, também é feita uma infiltração de anestésico ao redor da próstata.
  4. Coleta: A sonda é inserida e, guiado pelo ultrassom, o médico dispara a agulha para retirar amostras de diferentes pontos da próstata (geralmente de 10 a 14 fragmentos).
  5. Duração: O procedimento inteiro leva entre 10 e 20 minutos.

2. Biópsia transperineal (mais moderna e segura)

Considerada por muitos especialistas a técnica com menor risco de infecção. Nela, a agulha não passa pelo reto, mas sim pela pele do períneo (a região entre o ânus e o saco escrotal).

  1. Preparação: Antibiótico profilático, mas geralmente não é necessário enema.
  2. Posicionamento: Você fica deitado de barriga para cima ou em posição ginecológica (pernas elevadas).
  3. Anestesia: Anestesia local ou sedação leve (em alguns casos, sedação mais profunda).
  4. Coleta: O médico usa um guia de ultrassom e uma grade para mapear a próstata, retirando amostras com precisão milimétrica.
  5. Vantagem: Risco quase zero de infecção urinária grave, pois a agulha não atravessa o reto.

Quais os riscos reais de uma biópsia de próstata?

Nenhum procedimento invasivo é isento de riscos, mas a biópsia de próstata é considerada segura. Os efeitos colaterais mais comuns são temporários e resolvem sozinhos. Veja o que você pode esperar:

  • Sangue na urina (hematúria): Muito comum, dura de 1 a 3 dias. Beba bastante água para ajudar a eliminar.
  • Sangue no sêmen (hematospermia): Pode aparecer por até 4 semanas. É assustador visualmente, mas inofensivo.
  • Sangue nas fezes: Pequena quantidade, devido ao trajeto da agulha no reto (na técnica transretal).
  • Desconforto local: Sensação de pressão ou dor leve na região perineal.
  • Infecção urinária: O risco é baixo (cerca de 1% a 3% na técnica transretal, e menor ainda na transperineal). É por isso que os antibióticos são tão importantes.
  • Retenção urinária: Dificuldade para urinar nas primeiras horas, mas é rara e temporária.

⚠️ Quando procurar o médico com urgência? Febre alta (acima de 38°C), calafrios, dor intensa ou incapacidade de urinar por mais de 8 horas. Esses sinais podem indicar infecção grave e precisam de atendimento imediato.

Como se preparar para a biópsia e como é a recuperação

A preparação correta reduz muito os riscos. Siga as orientações do seu urologista, mas aqui estão as recomendações mais comuns:

  • Antibiótico: Tome exatamente conforme prescrito, geralmente começando um dia antes ou algumas horas antes do exame.
  • Suspensão de anticoagulantes: Se você toma AAS (aspirina), clopidogrel, warfarina ou rivaroxabana, o médico vai orientar quando parar (nunca pare por conta própria).
  • Jejum: A maioria dos exames não exige jejum, mas se for usada sedação, pode ser necessário ficar de 4 a 6 horas sem comer.
  • Leve acompanhante: Principalmente se for usar sedação, você não poderá dirigir após o exame.

Nos dias seguintes:

  • Repouse no dia do exame. Evite esforço físico por 48 horas.
  • Não tenha relações sexuais por cerca de 7 a 10 dias.
  • Aumente a ingestão de água para ajudar a limpar o trato urinário.
  • Se notar sangue na urina ou no sêmen, não se assuste — isso é normal, mas informe ao médico se persistir por mais de uma semana.

O resultado da biópsia: o que ele realmente significa?

As amostras coletadas são analisadas por um patologista, que emite um laudo com o chamado escore de Gleason. Esse escore varia de 6 a 10 e indica o grau de agressividade do tumor, se houver. Quanto mais baixo, menos agressivo.

Além disso, o laudo informa quantos fragmentos (de quantos pontos) estão comprometidos e a porcentagem de tumor em cada um. Isso ajuda o médico a decidir a melhor conduta: desde vigilância ativa (apenas acompanhamento) até cirurgia ou radioterapia.

Importante: Se o resultado for negativo (sem câncer), mas o PSA continuar subindo ou o toque retal ainda for suspeito, o médico pode recomendar repetir a biópsia em alguns meses ou fazer uma ressonância magnética de próstata antes de qualquer nova decisão.

Dúvidas comuns que todo homem tem (mas nem sempre pergunta)

  • A biópsia dói muito? Com anestesia local, a maioria dos homens relata apenas um desconforto leve, como uma picada ou pressão. Não é uma dor insuportável.
  • Posso ter câncer mesmo com biópsia negativa? Sim, existe uma pequena chance de falso negativo (cerca de 10% a 20%), por isso o acompanhamento contínuo é essencial.
  • Preciso ficar internado? Não. A biópsia é ambulatorial: você chega, faz o exame e vai para casa no mesmo dia.
  • E se eu estiver com infecção urinária no dia? O exame é adiado até a infecção ser tratada, para evitar complicações.

Lembre-se: sempre consulte um médico antes de tomar qualquer decisão sobre sua saúde.

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